Música do dia "
Oração ao tempo".
Primeiro mês no Brasil e minhas anotações mentais.
Sinto falta:
de Paris e de suas calçadas estreitas;
de comprar champagne por quase nada e ir fazer feira,
da "educação" forçada dos parisienses e do individualismo francês.
Sinto falta:
de falar em francês, escutar em francês, pensar em francês, e tudo isso não é a mesma coisa se tu tirar a preposição "em";
do barulho das ambulâncias e das buzinas.
Do reclamismo parisiense e de poder reclamar e ninguém reclamar que eu reclamo.
Sinto falta:
dos meus amigos e das pessoas que passaram por mim;
de procurar achar o Brasil em cada canto;
de dar informações para os turistas perdidos;
de comprar roupas por 20, 30 ou 40 euros.
De passear por Paris.
Sinto falta de tanta coisa, de tantos cheiros, mas sinto falta principalmente de suas coisas: da solidão e do Brasil.
Lá em Paris me acostumei tanto com a solidão, com saber que era somente eu e Deus que essa solidão e a maneira que ela me fazia sentir, me fazem falta.
Assim como do Brasil. Sinto falta de sentir falta do Brasil, não por achar tudo ruim, pelo contrário, mas sinto falta de como me sentia quando por pior que as coisas estivessem lá, eu sabia que sempre teria o Brasil me esperando, como se essa fosse a recompensa, e sempre que o coração apertava eu repetia mentalmente "calma, quando tu voltares tudo será mais fácil, tudo estará resolvido."
Ledo engano, nada está fácil, nada está resolvido. Por isso sinto falta, falta daquela ingenuidade, da ilusão que quando chegasse nada teria sido em vão. Ai que saudade....